quarta-feira, 19 de junho de 2013

Lá e de volta outra vez

Hoje estava lembrando do texto que escrevi quando estava prestes a voltar da Irlanda. Acredito que, de tudo que já escrevi na vida, aquele texto foi um dos que eu melhor consegui me expressar. Apesar disso, acho que nunca conseguirei expressar o que o "voltar pra casa" significava para mim. 
Quando decidi ir para Irlanda, eu namorava, tinha um emprego na minha área de estudos, tinha amigos e companhia para tudo. Eu amava minha vida. Porém, de uma hora para outra, faltando 10 dias para a viagem, tudo virou de cabeça para baixo. Sempre tive em mente que a vida é assim mesmo...nunca estamos seguros e nada é certo. Então continuei com os planos e viajei. Longe de tudo, pude me recompor, pensar sobre minha vida, me (re)conhecer, me reinventar...
Depois de quase 1 ano de volta, posso afirmar com propriedade que os efeitos que todo esse processo me causou ainda não chegou ao fim. A Irlanda me mudou de tal forma que ainda não consegui avaliar completamente.
Faz quase 1 ano que voltei e a depressão pós volta ainda me visita com certa frequência...esse é um dos preços que não citei no meu texto de "volta". 
Só para ter guardado aqui no blog como parte importante da minha vida...aí vai o texto:

Intercâmbio...

O sonho de todo ser aventureiro na face da terra.

O que eles não te contam é que intercâmbio te quebra...em todos os sentidos. Principalmente se você for o adulto que pagou por tudo (ou que dá valor pro esforço dos seus pais). E o adulto que saiu do país para aprender, e não pra se livrar dos próprios pais.
Ele quebra seu bolso, suas certezas, seus preconceitos...mas, principalmente, quebra seu coração.
Sim, minha gente. Você vai pra outro país, sozinho...Você faz amigos completos. Amigos que servem pra tudo: sair pra balada, conversar sobre os problemas que você deixou lá do outro lado do planeta, amigos que te fazem janta, que fazem papel de família (passam juntos o carnaval, a pascoa, dia das mães, dos pais, dia dos namorados e até o Natal e Ano Novo)...Amigos que te abraçam e que te acolhem sem saber nada sobre você. Muitos deles estrangeiros, que como você, queriam aprender algo. É aí que você descobre que japoneses e coreanos não são frios como todo mundo diz, que nem todo irlandês toma banho só uma vez por semana, que nem todo espanhol fuma, nem todo italiano é tarado e que você não precisa ter vergonha de ser brasileiro porque a maioria das pessoas não te julga por isso.
Intercâmbio faz de você um cidadão do mundo.
A maioria das pessoas que não fizeram intercâmbio não entendem essa conexão entre os amigos que fazemos por aqui. E eles nunca vão entender...até passarem pelo mesmo.
Homesick? Uma hora você vai sentir isso...e pra quem você vai correr?
Um hora ou outra você vai ter um problema, vai ficar deprimido, se sentir culpado por estar longe dos seus avós que estão velhinhos, ou por ter perdido o nascimento do filho de alguém querido, o aniversário de alguém importante pra você...
Quem vai estar lá pra te fazer companhia nessas horas? Sim...seus amigos que você "acabou" de conhecer.
=]
É inútil dizer tudo isso, dar todos esses exemplos. Você não vai entender a não ser que tenha passado por tudo isso. Longe de casa (mas eu digo LONGE mesmo), tudo triplica de tamanho e importância.
Eu devo gostar de sofrer mesmo, pois já estou no segundo intercâmbio. Segunda vez de dizer tchau pra todas as pessoas que foram minha família por algum tempo...e esperar vê-los novamente um dia desses. Relembrar, abraçar, contar histórias...
Sim, meu amigo...intercâmbio te quebra de uma tal forma que você não vai, nunca mais, se livrar das cicatrizes. E é muito bom (e um pouco triste também) ter uma história por cicatriz pra contar.
Quem faz intercâmbio vive! Sai da zona de conforto, descobre coisas inimagináveis e nunca volta pra casa sendo a mesma pessoa.
E, na maioria das vezes, uma saudade inexplicável e o desejo de sair porta afora nunca mais te abandonam...

terça-feira, 23 de abril de 2013

Howth - Irlanda

Uma indicação,
Passagens de Dart,
Uma trilha sem fim,
Muitos cliffs,
Filosofia de andarilho,
Xixi fora da lei,
Pés cansados.


As palavras acima resumem bem esse dia fantástico em que resolvemos ir para Howth, uma cidadezinha ao lado de Dublin.
A ideia surgiu quando meu professor de inglês indicou uma trilha pra galera. "Demora por volta de 2h", ele disse. Animada com a ideia de conhecer uma outra cidade, convidei meus amigos e fomos todos rumo ao Dart (trem que liga as cidades na Irlanda), na manhã do domingo - 11/03/2012. Pegamos o Dart sentido Norte e paramos na estação chamada Howth. Descemos e lá estava a antiga aldeia de pescadores, que hoje tornou-se cidade de gente rica. haha
Saindo da estação, basta andar um pouquinho e babar com a beleza das embarcações sobre a água azul-maravilha no porto de Howth.
O porto
Eu feliz no centro de Howth
Seguimos o fluxo e logo encontramos a trilha. Se decidir seguir em frente, já aviso, a trilha mais bonita demora umas 4h a pé (parando pra tirar foto e tal). Eu não sabia disso...haha. A belezura do meu lindo professor disse que demoraria umas 2h.
Trilha infiinita (ainda estava no começo)

Bom, estávamos em quatro pessoas na trilha: Nathalia, Juninho, Júlio e eu. Tirando o Júlio que queria sentar no meio do caminho e morrer, o resto de nós adorou o passeio. O dia não estava tão frio (e caminhar esquenta, né?), fazia sol (o que é raridade na Irlanda) e a paisagem era fantasticamente perfeita!!!

Vista: centro de Howth ao fundo
Depois de muitas fotos, muitos cliffs lindos e, de certa forma, medonhos, encontramos o responsável pela nossa viagem no fim da trilha: meu professor, bonito, de bicicleta! Ele que me viu. Parou para perguntar qual trilha eu havia seguido, e eu disse que tinha ido pela mais longa. Ele riu muito e disse que nós estávamos mesmo com cara de cansados. ¬¬ Então ele indicou o caminho até o Dart que nos levaria de volta à Dublin (na estação chamada Sutton). Andamos mais e mais e mais, até que a Nathalia resolveu que precisava urgentemente ir ao banheiro. Depois de muito segurar, não aguentou mais e pediu para uma mulher que estava colocando o lixo para fora da casa. A adorável senhora disse um não bem enfático..."porque tem muito assaltante nessa região". Seguimos viagem com a cara no chão, segurando o xixi e com os pés cansados.
Pegamos o Dart e em 30 minutinhos estávamos todos em seus respectivos banheiros, digo, lares. Só consegui chegar em casa e dormir. Segunda-feira matei aula porque estava com dor nas pernas e queria muito passar as fotos pro computador. ^^

Dois pensamentos que não pude deixar de ter enquanto caminhava:
"O vasto mundo está em volta de vocês. Podem se trancar aqui dentro, mas não trancá-lo lá fora" 
"É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê." 
"Um barquinho a deslizar, no macio azul do mar."



Até a próxima!

BE FREE AUNG SAN SUU KYI

A maioria das pessoas já deve ter se sentido presa, trancada pro mundo e pra vida.
Acho que sim...eu, pelo menos, cresci me sentindo assim. Tenho um espírito livre e não consigo me 
imaginar trancada/atada a algo. Isso me causou problemas enormes por muito tempo...até eu ser 
dona do meu nariz. Mas liberdade é uma coisa que conquistei com muita briga, choro, raiva e força.
Hoje em dia estou me recuperando dessa fobia de estar presa. No entanto, vou viver com isso para 
sempre. Eu sei. Simplesmente porque isso é parte de mim. Daquelas partes mais íntimas que nunca 
te deixam, pois são sua essência.
Existe uma pessoa que passou anos presa, em todos os sentidos que a palavra pode expressar. Ela 
lutava por um mundo melhor e ficou presa por amor ao seu país. Ela passou anos sem ver o marido, 
sem poder sair fazer o que ela mais amava.
É isso que me dá tanta raiva e que me deixa puta! Por que tem gente que acha que pode mandar na 
vida dos outros? Como se achar isso não fosse ruim o suficiente, tem gente que abusa do poder 
que tem e, realmente, coloca os outros numa prisão (física, psicológica, emocional). Fique atento! 
Não deixe ninguém tirar de você  o que você é: Livre!
Lute pelo bem, pela justiça e pelos seus ideais. Se você não fizer, alguém fará, e você não vai ter como 
culpar os outros por não ter sido como você queria se ficar aí parado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Histórias de busão - Dublinbus

Uma vez, ficamos até tarde na casa de  uma amiga, como era de costume. Como estava chovendo, ventando e frio, resolvemos voltar para casa de ônibus. Naquele final de semana, haveria uma exposição de carros de corrida em Dublin, então a rota dos ônibus estava alterada para não passar pelas ruas onde seria o evento. Pegamos o último ônibus, como de costume - o 46a. Percebemos que ele estava indo por outro caminho, mas nem nos preocupamos, por causa do evento. Quando percebemos, estávamos na  garagem do Dublinbus. Corremos para tentar pegar outro ônibus, mas já era tarde demais.
Resultado: voltamos a pé para casa, 1h30 de caminhada na chuva, dividindo uma sombrinha emprestada. Não preciso falar que cheguei encharcada em casa, né? Mais legal foi pisar na merda na porta de casa.

O vídeo abaixo mostra o caminho que o ônibus 46a faz normalmente. Parei de filmar na ponte da O'Connell, pois tinha que descer lá.






O caminho que o ônibus faz
Hoje, amanhã...
Até nunca mais.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O lado B de Amsterdam - Holanda

Peguei um ônibus da Eurolines em Bruxelas por incríveis 9,90 euros e após 3h cheguei em Amsterdam em pleno sábado a noite. Estava claro ainda, pois era verão. Peguei o metrô e desci na Central Station, pois duas amigas estavam me esperando no Ibis, que fica exatamente em cima da estação. Tomei um banho rápido e saímos. 
Andamos sem rumo por um tempo e, seguindo o fluxo, chegamos a um dos lugares mais famosos do mundo: Red Light District. Para quem não sabe, O Red Light é uma pequena região de Amsterdam, na qual há vitrines com garotas dentro, oferecendo o "produto", por assim dizer. Elas ficam "expostas" em pequenos quartos com janelas grandes de vidro. Quando um cliente entra, elas fecham as cortininhas e fazem o trabalho, que é legalizado no país. 
Porém, a região do Red Light não é somente um grande prostíbulo. Lá, há cinemas eróticos, sex shops, bares de strip-tease... Há neste local inclusive um museu do sexo.
As vitrines do Red Light District (tirar foto no Red Light é proibido. Não, gente...essa foto não é minha.)

O cheirinho de maconha pode ser sentido em todos os lugares. Sim, a planta também é legalizada na Holanda e também fica exposta em vitrines, inclusive durante o dia. Em qualquer loja de souvenir você encontra barras de chocolates, balas, pirulitos e até camisinha de maconha. Não acredito que faça algum efeito, mas enfim...turista compra. haha
Outra coisa que você encontra a cada 10 passos, são  os Coffee Shop's, onde é vendido o famoso "bolinho de haxixe" (e maconha também, é claro). Os bolinhos de haxixe custam em média 6 euros cada...e são bem pequenos. Esses fazem efeito, sim, mas se não quiser ficar com um sono terrível antes das 2h da madru, melhor nem experimentar.

Bom, por hoje é só. Ainda tenho muito pra contar sobre Amsterdam na próxima postagem!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Minha homenagem - Semana Tolkien

A verdade é única: todos vamos morrer.
Particularmente, gostaria de ser cremada, mesmo sabendo que muitas pessoas são contra por motivos bestas...
Enfim...visitei um belíssimo cemitério em Oxford no começo de maio/2012. Nunca tinha andado por um cemitério gramado antes...é lindo d+! Até poderia gostar de ser enterrada em um desses...

Wolvercote Cemetery - Oxford - UK


" Nada como procurar quando se quer achar alguma coisa. Quando se procura geralmente se encontra alguma coisa, sem dúvida, mas nem sempre o que estávamos procurando." Um trechinho interessante de um livro escrito pelo homem cujo túmulo fui visitar.
Poderia citar milhões de frases geniais que ele escreveu!
Passei muito tempo lendo e relendo Tolkien. Ele apareceu na época certa da minha vida. Moldou tudo o que eu já era destinada a ser, mas ainda não sabia. Às vezes pego os livros e releio algumas partes só pra ter certeza de que não estou fora do caminho que escolhi pra mim mesma. Os livros de Tolkien são para mim como a Bíblia para os religiosos. 

"Não é nossa função controlar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que pudermos para socorrer os tempos em que estamos inseridos, erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que viverem depois tenham terra limpa para cultivar. Que tempo encontrarão não é nossa função determinar. " - Gandalf - SDA

Thanks for Middle-Earth, Tolkien.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

St Patricks Day na Irlanda

17 de março de 2012 caiu num sábado pra infelicidade geral dos irlandeses. Porém, na sexta-feira as festividades já haviam começado e muita gente não foi trabalhar/estudar (inclusive eu, claro).
Acordei cedo no sábado e fui pra O'Connell St. encontrar Juninho e Lívia. Havia muuuuita gente na rua...todos vestidos de verde, esperando ansiosamente pelo desfile.
Bom...o que dizer? Foi legal, sim. Mas esperava mais! Até que estava bem animado se levarmos em conta a garoa fininha que começou a cair no meio do desfile.
Mas não desanimem porque o melhor vem depois do desfile. Se no Brasil tudo acaba em pizza, lá na Irlanda tudo acaba em Guinness! Sim, fomos dar uma volta por Dublin e entramos em uns 3 pubs diferentes naquela tarde. Muita música típica, turistas e irlandeses bêbados cantando, dançando e peidando Guinness alegremente. A foto abaixo mostra bem o clima de socialização e festividade pós desfile...haha

Legal é vc ver um povo tirando foto na rua, não conhecer as pessoas, sair correndo pra aparecer tb e ainda ser marcada no Facebook! 

Quando era 7h da noite, resolvemos ir numa festa que estava rolando na casa de uma amiga. Festa estranha com gente esquisita...muita vodka, cerveja e pulseirinha de neon cortadas e espalhadas pela casa a fim de fazer tudo brilhar. Sim! Cor-ta-das. Explico: você passa a faca na ponta da pulseira para abri-la e chacoalha bem em todas as direções. Dá um efeito ótimo nas suas paredes e convidados quando as luzes se apagam. hahaha. Bebemos, comemos pizza e batemos um super papo com uma coreana gente fina. 

O efeito do neon das pulseirinhas na parede.

No dia seguinte, ouvimos várias histórias de gente bêbada que vomitou, de gente bêbada que foi roubada, de gente bêbada que apanhou...enfim. Um feriado santo. Viva Saint Patricks que expulsou todas as cobras da Irlanda. =p
Mas as comemorações não param por aí. Domingo ainda tem festa. A tarde foi dia de parque! Pagamos 4 euros (caro d+) pra ir num brinquedo desses que te deixam zonzo. As meninas não queriam se descabelar então fomos somente Juninho e eu. Divertido é pouco! Saímos de lá parecendo irlandês de sexta-feira às 3h da madru. Mais tarde fomos pro The Quays, mas estava muito lotado, então resolvemos ir no Fitzsimmons (baladona no Temple Bar).

Espelho da Fitzsimmons desejando a todos um Happy dia do Saint Patricks

E foi assim que terminou o feriado mais esperado do ano na Irlanda. =]

P.S.: Cuidado com os irlandeses que dizem "Kiss me, I'm Irish".

Salto - 13/09/2012 - 19h31